As conclusões constam do relatório da Assistência e Reinserção Social em Angola, divulgado este mês pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano, ao qual a Lusa a teve hoje acesso, aludindo nomeadamente à problemática da falta de apoio às crianças.

Em todo o ano de 2016, o estudo refere que a existência de 4.921 crianças vítimas de violência, sendo Luanda a província mais afetada, com 2.306 casos, enquanto no Huambo e em Malanje não foi participada qualquer ocorrência às autoridades.

A fuga à responsabilidade paternal (45%) e a negação da paternidade (18%), lideram as queixas de violência sobre as crianças em Angola, seguidas de trabalho infantil (10%), negligência (8%), disputa de guarda (5%) e abuso sexual (3%), conforme concluiu o anuário, produzido pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social.

O estudo identifica ainda uma quebra no apoio, através das estruturas provinciais, na distribuição de leite e papa a crianças com até dois anos de idade. Enquanto em 2015 receberam este tipo de apoio 13.525 crianças, em 2016 esse número não foi além de 3.700.

Angola é o atualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, mas desde finais de 2014 que vive uma profunda crise financeira, económica e cambial, decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de crude, levando a cortes na despesa pública.