É conhecida vulgarmente por ginástica mas não exige treino físico. Trata-se de um conjunto de técnicas manuais de contracção torácica que ajudam a tratar infecções respiratórias nas crianças, frequentes nesta época do ano.

Com a chegada do tempo frio as crianças ficam mais propensas a contrair infecções respiratórias. O ingresso nas creches e infantários estimula o contágio fácil e rápido. Estas infecções são geralmente provocadas por vírus e, nos bebés mais novos ou com menos defesas, podem afectar as vias respiratórias inferiores e provocar insuficiência respiratória.

Neste artigo, mostramos-lhe como pode ajudar o seu filho a respirar melhor e a prevenir possíveis complicações no futuro através da ginástica respiratória, uma modalidade da fisioterapia respiratória que inclui técnicas de desobstrução brônquica e o treino dos músculos respiratórios. Descubra como simples movimentos no seu corpo podem ajudá-lo.

Para que serve?

Como pode então esta ginástica – que se consubstancia em «simples» movimentos no corpo – melhorar a respiração? A fisioterapeuta Inês Fiúza explica-lhe: «como as infecções do foro respiratório provocam secreções no campo pulmonar que dificultam o transporte do oxigénio, estas técnicas aplicadas no corpo do bebé, vão deslocar as secreções existentes, de modo a que sejam expulsas posteriormente». O resultado traduz-se na optimização do transporte do oxigénio e numa melhoria notável da função respiratória.

Em que casos se aplica?

Pneumonias, bronquiolites e laringotraqueobronquites (infecção da laringe e traqueia) são as infecções respiratórias mais frequentes na infância. No tratamento, as técnicas desenvolvidas pela fisioterapia representam um papel essencial. O fisioterapeuta vai actuar com técnicas manuais específicas para eliminar ou reduzir a desobstrução.

Na bronquiolite, por exemplo, uma doença sazonal com forte incidência nesta fase do ano (de Outubro a Março) e muito comum em crianças até aos dois anos de idade, são usadas técnicas de desobstrução brônquica, executadas por mobilização torácica.

As pressões feitas no corpo do bebé vão permitir desobstruir o aparelho respiratório, aliviando, no momento, os sintomas da infecção e prevenindo, a longo prazo, complicações respiratórias mais graves. «Uma bronquiolite mal tratada poderá deixar sequelas que se poderão traduzir mais tarde em problemas respiratórios», alerta a fisioterapeuta. «Nesta fase de desenvolvimento da criança, o sistema imunitário ainda é muito frágil e, se não for bem cuidado e sustentado, em adulto poderão desenvolver-se doenças do foro respiratório como a asma», explica.


Como funciona?

De acordo com Inês Fiuza, no tratamento de uma infecção, bastam dez sessões de fisioterapia.

«O tratamento é feito até eliminar a desobstrução brônquica ou até a criança atingir um estado estável que os pais consigam manter em casa com algumas medidas terapêuticas», esclarece a fisioterapeuta.

Estas sessões devem ser diárias e são, geralmente, acompanhadas pelos pais. As técnicas de desobstrução brônquica e os exercícios dos músculos respiratórios são feitos através de pressões manuais aplicadas em determinadas zonas do corpo do bebé. «Fazemos manipulações no tórax e no abdómen, com a criança deitada de barriga para cima», descreve a fisioterapeuta, explicando que «estas contracções favorecem as alterações do fluxo respiratório, de inspiração e expiração, mobilizando assim as secreções, fazendo-as progredir na árvore brônquica para depois serem expulsas, através da tosse».

No caso das crianças com idade até aos dois anos que não têm tosse voluntária, são usadas técnicas de provocação de tosse, com o auxílio de aparelhos técnicos como o cought assist (aparelho que provoca pressões insuflatórias e exsuflatórias). Para além disso, para que as secreções acumuladas sejam facilmente expelidas, importa, por vezes, fluidificar as mais espessas, através da inalação de soro fisiológico ou através de uma outra técnica complementar: a aerossolterapia que humidifica as vias aéreas. «Com as secreções mais fluidificadas, a desobstrução será mais eficaz», esclarece Inês Fiuza.

Quando é necessária?

As pressões que são feitas no corpo da criança vão depender do tipo de secreções que estão a dificultar a circulação do oxigénio. A partir do diagnóstico são definidas as técnicas mais adequadas. O diagnóstico, descreve a fisioterapeuta, baseia-se na auscultação da criança, na análise dos sintomas descritos e dos sinais objectivos de dificuldade respiratória, e, caso seja necessário, dos resultados de meios auxiliares de diagnóstico como o raio-X.

O adejo nasal [contracção constante das zonas frontais e laterias do nariz], as retracções torácicas, a cianose [cor azulada que se observa geralmente nos lábios ou nas maçãs do rosto], os gemidos respiratórios e a modificação do tipo de profundidade da respiração são os principais sinais que indicam dificuldade respiratória. Pode também ocorrer agitação, irritabilidade, convulsões e alterações do ritmo cardíaco como bradicardia. «Estes são sinais para os quais os pais devem estar despertos, para tomar as medidas necessárias no momento certo», recomenda a fisioterapeuta.

Em caso de suspeita de infecção respiratória, o «fisioterapeuta pode ser o técnico de primeiro contacto, de forma a diminuir as idas aos hospitais e, consequente, o risco de infecções nosocomiais [infecções adquiridas nos hospitais], acrescenta.


Cuidados preventivos

Mas não é só no tratamento que os pais devem agir. Porque, em primeiro lugar, é importante prevenir e «na prevenção os pais têm um papel fundamental», frisa Inês Fiuza.

A generalidade das infecções propagam- se através do contacto directo (espirros e tosse) e indirecto (quando a criança manuseia um brinquedo), por isso, «a lavagem frequente dos objectos (brinquedos e chuchas) e a esterilização dos biberões é de extrema importância.

A fisioterapeuta aponta ainda para um factor que pode reduzir significativamente o risco de contrair este tipo de infecções: o ingresso na creche. Segundo Inês Fiuza, será mais seguro para a criança, retardar a sua admissão na creche, pelo menos até aos seis meses.

Saiba o que pode fazer em casa para complementar o tratamento da fisioterapia
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Texto:
Sofia Cardoso com Inês Fiuza (fisioterapeuta)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista


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