O cenário foi descrito à agência Lusa pelo diretor-geral da instituição, João Facatino, entre os preparativos para o Natal e a habitual ronda diária que a equipa móvel realiza pelas ruas da capital angolana, com o propósito de acudir às centenas de crianças sem apoio.

"É uma equipa que vai ao encontro dos locais com acompanhamento direto, em termos de assistência médica, ajudas a partir da rua. Nesse sentido, o trabalho tem corrido bem e essa parceira tem sido bastante positiva", explicou o responsável, aludindo à parceria com a União Europeia, que tem permitido manter este apoio.

Localizado no bairro do Palanca, arredores da cidade de Luanda, o centro de acolhimento funciona há 24 anos, albergando atualmente 90 crianças com distintas histórias de vida e que ali encontram um ambiente familiar.

"Apesar das dificuldades, não vamos deixar de celebrar o Natal. E vamos celebrar com mais três grupos que vão partilhar connosco o Natal antecipado", acrescentou. Pelo menos durante esta semana, uma parte destas crianças de rua vai partilhar no centro atividades recreativas, como dança, música, jogos e, claro, uma troca de presentes.

"São crianças e em ambiente festivo é sempre uma alegria vê-las descontraídas", sublinhou Facatino, enquanto recorda os dias difíceis, em termos de contas, que o centro vive.

"A nível alimentar a situação está equilibrada, mas a nível financeiro ainda não conseguimos criar uma estrutura de autofinanciamento", explicou.

Com mais de duas décadas de atividades voltadas para o acolhimento, formação e reinserção de menores em "situação de risco", o responsável recorda que mais de 7.000 crianças passaram pelo centro.

Por entre os preparativos para o Natal na instituição, João Facatino admite que 2017, apesar das dificuldades, foi também de alguns ganhos para a instituição.

"Agora temos já um campo multiusos, este ano conseguimos agregar mais alguns cursos internos entre eletrónica, informativa e corte e costura. E ainda conseguimos reinserir cerca de 25 jovens na sociedade e no seio familiar", explicou.

Para 2018, entre outras metas, a direção do Centro de Acolhimento de Crianças Arnaldo Janssen espera obter o estatuto de utilidade pública, que reclama há vários anos.

"Precisamos ainda de criar uma escola interna, apoios de criação de projetos de autossustentabilidade e precisamos de professores para acompanhar o reforço académico aqui no centro, sendo que ultimamente aproveitamos a colaboração de voluntários", concluiu.

A instituição funciona com uma área pedagógica, ainda áreas interna, de formação profissional, e a área social "que é o coração do centro", com componente administrativa, de psicologia, além da área de saúde, "responsável pela assistência médica e medicamentosa das crianças".

Em 2015, aquele centro apoiava mais de 500 menores que viviam nas ruas de Luanda, tendo então concluído que 68% tinha fugido de casa por serem acusados de feitiçaria pela própria família, por norma convencidos por seitas religiosas e seguindo rituais praticamente tribais.