Foi lá que, no dia 5 de julho de 1946, naquele que seria um desfile histórico, se avistou pela primeira vez em público um biquíni. Numa altura de pudores e de conservadorismos puritanos, foi um escândalo! Como nenhuma manequim queria vesti-lo, Louis Réard, o engenheiro da indústria automóvel que o inventou nesse mesmo ano, teve de recorrer a Micheline Bernardini, uma destemida bailarina do Casino de Paris.

Algumas das fotografias tiradas na altura estão hoje expostas na antiga piscina pública da cidade, reconvertida numa luxuosa unidade hoteleira depois de mais de duas décadas e meia de abandono e degradação. São muitas as histórias que fazem a história do Hôtel Molitor Paris – Mgallery by Sofitel, localizado no número 13 da rue Nungesser et Coli, próximo do estádio que todos os anos acolhe o torneio de ténis Roland-Garros.

Essa é apenas uma delas. Quando foi inaugurada em 1929, a Piscina Molitor contratou como nadadores-salvadores, para essa primeira temporada balnear, dois conhecidos nadadores estrangeiros, Aileen Riggin Soule e János Péter Weissmüller, que se viria a converter numa celebridade internacional.

Na altura com 25 anos, já tinha ganho cinco medalhas de ouro, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1924 e 1928.

No entanto, foi no cinema, onde interpretou a personagem de Tarzan em 12 filmes nas décadas de 1930 e 1940, que Johnny Weissmuller, o nome artístico que adotou depois de passar dias e dias a vigiar a Piscine Molitor, ficaria famoso. Na altura, a piscina, com dois tanques, era a mais concorrida de Paris. Além dos banhos refrescantes, muitos parisienses gostavam do ambiente vanguardista do espaço e das festas que lá se faziam.

Antiga piscina pública de Paris é hoje um hotel artístico. Vhils tem lá uma obra
créditos: Fotografia de Sébastien Giraud

À medida que os anos foram passando, a procura foi diminuindo. Em 1989, acabaria mesmo por fechar. No ano seguinte, apesar de abandonada, a Piscine Molitor passa a integrar a lista dos monumentos históricos de Paris mas, na realidade, a distinção de pouco ou nada lhe vale. Nos 25 anos seguintes, o complexo de piscinas começa a ser ocupado por bandos de jovens que o enchem de lixo e de inscrições em graffiti.

À medida que o tempo vai passando, é palco de raves. Algumas chegam a atrair mais de 2.000 pessoas. Em 2012, a destruição de parte do antigo edifício de estilo art déco chama a atenção da opinião pública para o estado de degradação do monumento. Pouco depois, é lançado um concurso de ideias para reabilitar o espaço. O projeto de o converter num hotel de luxo com uma vertente artística acaba por ser o vencedor.

Antiga piscina pública de Paris é hoje um hotel artístico. Vhils tem lá uma obra
créditos: Fotografia de Sébastien Giraud

Em 2014, a Piscine Molitor renasce das cinzas. Assente nas palavras piscina, arte e vida, o Hôtel Molitor Paris – Mgallery by Sofitel, no décimo-sexto bairro da cidade, passa a reforçar a oferta de hotelaria de luxo da capital parisiense. Além de 124 habitações modernas e confortáveis, de um restaurante e de um bar, o hotel integra ainda um spa e um rooftop, estrategicamente dispostos em torno da piscina principal, a exterior.

28º C é a temperatura da água durante todo o ano no tanque de 46 metros de comprimento, o maior, apesar de nos dias de chuva e frio ser na piscina interior, mais pequena, com apenas 33, que a maioria dos hóspedes que lá pernoitam gosta de relaxar. Lá e no Spa by Clarins, a luxuosa marca de cosmética francesa que a empresa Sofitel Hotels & Resorts, também escolheu para os produtos de higiene das casas de banho.

Antiga piscina pública de Paris é hoje um hotel artístico. Vhils tem lá uma obra
créditos: Fotografia de Sébastien Giraud

Modernas e urbanas, decoradas pelo conceituado arquiteto francês Jean-Philippe Nuel, as 124 habitações, 104 quartos e 20 suites, têm vista para a piscina principal. O conforto é garantido pelos produtos da linha Sofitel MyBed. Desenvolvida pela empresa do grupo AccorHotels, integra colchões, roupa de cama e almofadas concebidos a pensar nas necessidades de descanso dos hóspedes que exigem o melhor.

Os luxos não se ficam, no entanto, por aí, como tivemos oportunidade de o constatar quando lá pernoitámos. Todas as habitações incluem uma base de ligação para iPod da marca Bose e uma máquina de café Nespresso.

Na altura da conversão em hotel, a direção da unidade hoteleira estabeleceu uma parceria com a PoolArtLife, uma associação sem fins lucrativos que, além de preservar o património local, também apoia os talentos emergentes.

Os primeiros meses de 2018 marcaram o fim do processo de reabilitação que transformou os antigos balneários da Piscine Molitor na nova atração turística do Hôtel Molitor Paris – Mgallery by Sofitel. Preservando o espírito que marcou o espaço nos 25 anos em que esteve votado ao abandono, antes de ser recuperado pelo fundo norte-americano Colony Capital, a arte de rua tomou conta da maioria das 355 cabines.

Antiga piscina pública de Paris é hoje um hotel artístico. Vhils tem lá uma obra
créditos: FOTO 4 Fotografias de Ros e Sébastien Giraud

A direção do hotel desafiou alguns dos nomes mais influentes da street art da atualidade a criar obras de arte dos tempos modernos em cada um dos pequenos cubículos em torno da piscina interior do complexo. O resultado é deveras surpreendente! Mas os projetos artísticos não se esgotam, contudo, aqui. Além de acolher exposições com regularidade, há peças que foram ficando em destaque nos espaços comuns.

Numa das salas que o Hôtel Molitor Paris – Mgallery by Sofitel disponibiliza para reuniões, palestras e eventos, há uma parede com um rosto feminino esculpido por Vhils, o nome artístico de Alexandre Farto, o artista português nascido no Seixal que já se converteu num fenómeno da arte mundial. O parisiense Psyckoze e o nova-iorquino Seen são outros dos muitos artistas que pode aqui admirar.

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