O mais essencial do Amor, talvez seja o facto deste se definir - sem nunca, realmente, se poder definir – como um verbo de ação. Amor que não é colocado em prática, nem em gestos, nem se reflete na realidade, é um amor feito de palavras, um romance de literatura.

Muitas vezes ouvimos que o Amor não espera nada do outro, mas é bem mais complexo que isso. Exigir amor daqueles que amamos, ou exigir manifestações de amor, não faz qualquer sentido, porque a exigência e o controlo são contra a essência do próprio Amor, que é a da dádiva, aceitação, vontade de conhecer o outro e se dar a conhecer, e a necessidade irresistível de dar amor a quem se ama.

Há contudo um ponto de equilíbrio entre o nada esperar e o nada receber: uma relação só faz sentido se o amor for recíproco, o que não significa que as pessoas amem da mesma forma e o demonstrem da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Um amor em que não há compreensão, aceitação, entusiasmo e em que só um dá, talvez não seja digno desse nome.

Não podemos esperar que o outro seja igual a nós, esquecendo-nos que o que fomos buscar no outro inicialmente foi o que era diferente e nos complementava. O “complementar” e não “completar” faz total diferença aqui. Já todos ouvimos que não podemos esperar que o outro nos complete, e que temos de ser inteiros em nós mesmos para nos relacionarmos com outro ser (inteiro), e termos uma relação equilibrada e sadia. Mais uma vez, podemos ter a teoria toda, mas se não a colocarmos em prática, o que vai acontecer é uma relação de dependência, em que um precisa do outro para se sentir feliz por não ser capaz de se fazer feliz a si próprio.

O Amor Universal - o Amor pela Humanidade – é igualmente complexo, apesar de aparentemente parecer simples para muitas pessoas… Não é o Amor Universal em si que é complexo, mas é o senti-lo realmente, vivo no nosso interior, e vivenciá-lo verdadeiramente.

Ser capaz de sentir o Amor Universal dentro de nós é ser capaz de amar a Humanidade por inteiro, em cada um dos seus representantes, ou seja, é ser capaz de amar cada ser humano individualmente, cada pessoa que conhecemos e cada pessoa que não conhecemos. Significa também não criticar e julgar pessoas, povos, nações e culturas, atribuindo-lhes determinadas características (normalmente negativas), generalizando opiniões, distinguindo e separando.

Não é fácil amar aquela pessoa que nos deu um encontrão no metro para entrar antes das outras pessoas saírem, ou amar o vizinho que faz barulho e que por mais que seja avisado teima em por o volume do rádio alto a horas impróprias, ou amar aquele amigo que traiu a nossa confiança, ou amar o pai ou mãe quando por vezes, parece, só nos encontram defeitos.

Por outro lado, é fácil dizer que somos pela Paz & Amor, dizer que defendemos as crianças e os animais, dizer que somos espirituais por termos um momento de sossego e relaxamento na Ioga ou na igreja (ou mesquita, sinagoga, etc) depois de passarmos o dia a criticar os colegas, os familiares e outros tantos. Como encontrei uma vez na Internet, “não adianta fazer Ioga e não cumprimentar o porteiro”.

Por mais que seja impossível definir o Amor - e inútil, na verdade - porque Ele surge em múltiplas formas e adora disfarçar-se, há algo muito simples, através do qual podemos descobrir se estamos diante Dele: tudo o que provoque divisão, separação, dor profunda, mesmo que nos seja apresentado como pretenso amor, não o pode ser, porque o Amor, o verdadeiro, só quer unir, dar e gerar… Amor.

Vera Vieira da Silva

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