Rita Oliveira

A paixão pela dança

Começou a dar os primeiros passos no ballet quando tinha dez anos depois de fazer outras actividades desportivas. A sua entrada neste novo mundo deu-se casualmente, por aconselhamento médico. Este não era o seu grande sonho na altura mas era a tipo de ginástica menos violento do que as outras modalidades que já praticava (ginástica acrobática) e também porque era o que havia na altura em Luanda. Contudo, desde pequenina que gostava muito de dançar e inventava coreografias.

Na altura em que começou a dançar, vivia na capital angolana e a sua professora era a conhecida Ana Clara Guerra Marques. Ela era a professora principal do seu grupo na Academia de Música, onde Rita esteve até aos 18 anos. Além de Clara Guerra Marques, teve a experiencia com vários professores cubanos e russos e praticava durante três horas diariamente.

Mesmo com todo o tempo e esforço que despendia na dança, Rita nunca se descuidou dos estudos. Estudava no Muto, depois passou para o Puniv e paralelamente fazia dança. Além disso, durante todo o seu percurso de adolescente conseguiu conciliar sempre o estudo com esta actividade na altura paralela. Nunca faltou ao ballet para estudar, ou vice-versa. Arranjava sempre tempo, tinha uma disciplina maior e era uma pessoa determinada.

No ano em que o seu pai foi para Paris concluir o doutoramento, a família acompanhou-o. Lá teve aulas de ballet e confessa que foi a época em que começou a ver a dança no seu aspecto artístico. Apercebeu-se da dimensão e do poder que ela tinha com apenas 14 anos. Quando regressou a Angola continuou com as aulas e começou também a fazer dança moderna.

Quando chegou ao pré-universitário decidiu que queria tirar o curso Superior de Dança, por isso teve de se deslocar para Portugal, para o Instituto Politécnico de Lisboa onde se formou na área. Aproveitou o facto do curso ser completo, e além de ter estudado na área da educação fazia espetáculos e aproveitou todas as oportunidades que iam surgindo. Envolveu-se, paralelamente, com um grupo de dança de Portugal que não tinha nada haver com a escola.

O receio de uma carreira com pouca saída sempre esteve patente nos seus pensamentos, mas por outro lado afirma que ‘era a paixão a falar mais alto’. Os seus pais sempre a apoiaram apesar de a terem alertado do futuro que poderia ter. Se não tivesse escolhido a dança provavelmente a sua segunda opção fosse Direito.

Mesmo na altura em que estava a estudar, a bailarina vinha sempre de férias a Luanda, por isso nunca deixou de criar raízes na terra Natal o que facilitou o seu ingresso no mundo profissional quando regressou de vez. Para além disso, na escola onde andou tinha o grupo experimental de dança que era de Luanda e que futuramente deu origem à Companhia de Dança Contemporanea.

Veja na página seguinte o caminho que Rita percorreu

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