Hospital geral do Bié debate-se com falta de material e sangue

Pouco sangue e falta de medicamentos no Kuito aumentam as preocupações do principal hospital do Bié. Os médicos pedem aos doentes para levarem material para os tratamentos.

O hospital geral do Kuito está a registar “com muita preocupação” um aumento sem precedentes de transfusões de sangue que se fazem diariamente na hemoterapia. Os números chegam a 80 por dia e a direcção do hospital informou ao NG que, apesar de haver semanalmente doadores voluntários entre associações juvenis, grupos religiosos entre outros, existe uma ruptura de ‘stock’ por falta de bolsas de sangue para o devido armazenamento do produto doado.

A situação está a exigir dos doentes com falta de sangue a procura de doações espontâneas vindas de familiares e amigos, para responder com maior urgência à situação, ao mesmo tempo que ajudam a restituir o sangue gasto, dada a procura que se regista.

Segundo a directora, Mariana Fernandes, além do aumento de diversas patologias, o hospital ressente-se com a falta de medicamentos nos postos médicos do município. A maior parte dos pacientes procura pela unidade central.

Mariana Fernandes admitiu a falta de assistência medicamentosa e reconhece que o hospital tem pedido aos doentes para comparticipem com materiais gastáveis e curativos. Para gerir o que resta, a direcção traçou estratégias para responder aos casos com maior gravidade e dar prioridade aos pacientes que não tenham condições de aquisição de fármacos. “Mesmo com as dificuldades que temos de insuficiência de medicamentos e de outros materiais, os pacientes não comparticipam em situações graves”. A principal causa de internamento é a malária, seguida de doenças respiratórias agudas e hipertensivas e acidentes de viação. Estes últimos com uma redução significativa, deixando os serviços de ortopedia e cirurgia “mais folgados”.

Só no primeiro semestre deste ano, segundo dados do departamento de controlo de grandes endemias da direcção provincial da saúde, a malária já causou a morte a 230 pessoas em toda província, mais 169 em relação ao período anterior.

O hospital é assegurado por 32 médicos divididos em diferentes áreas, o que faz com que, somente um médico responda aos casos que venham a ocorrer na unidade de urgência.

Nova Gazeta

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