Mulheres voluptuosas posam nuas para provar que (também) são sedutoras

«Metallic curves» é o nome de um projeto da fotógrafa Silvana Denker, uma modelo com curvas que resolveu pegar em modelos plus-size para mostrar ao mundo que estas podem ser sensuais.

Silvana Denker sempre quis ser modelo mas as suas medidas voluptuosas estavam longe das que o mercado da moda procura. Ainda assim, não desistiu. Em 2010, participou num concurso na Alemanha. Não ganhou mas foi convidada a assinar contrato com uma agência de modelos plus-size. Foi nessa altura que se começou a dar o clique. «Hoje, estou com 33 anos e posso finalmente dizer que me aceito e que gosto de mim», desabafa.

«Mas demorei muitos anos a interiorizar que era mais do que um número numa escala ou um tamanho no meu roupeiro», confidencia. «Eu perdi peso, voltei a ganhá-lo e cheguei à conclusão que, mesmo quando estava magra, me sentia mal. Detestava-me!», confessou mesmo à jornalista Ellen Scott, editora de lifestyle da edição britânica do jornal gratuito Metro, no início de agosto de 2017.

O distúrbio alimentar de que sofria também não ajudava. A fama como modelo trouxe-lhe reconhecimento e confiança. A partir de determinada altura, passou a querer ajudar outras mulheres, vítimas de preconceitos e com uma autoestima baixa. Entretanto, apaixonou-se pela fotografia e começou a usá-la para passar mensagens. Primeiro, para começar, fez calendários com mulheres voluptuosas.

Mulheres em roupa interior para combater o bullying

A esse projeto, seguiu-se a campanha «BodyLove», que em dezembro de 2015 levou um grupo de mulheres com peso a mais, estrias e celulite a desfilar pelas ruas de Berlim em roupa interior para mostrar que não têm vergonha de ser como são e combater o bullying de que muitas são alvo. «Metallic curves», em 2017, reúne uma coleção de fotografias de mulheres com peso a mais, cobertas de tinta dourada ou prateada.

Ao fotografá-las, Silvana Denker quis retratá-las como esculturas. «Espero que as pessoas consigam ver que não existe só um conceito de corpo perfeito. Somos todos diferentes e isso é fantástico. A atmosfera [durante a produção] foi fantástica. Elas é que se pintaram e ajudaram-se umas às outras. Divertimo-nos muito todas juntas. Algumas, depois, confidenciaram-me que passaram a sentir-se mais confiantes», regozija-se.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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