Relatos chocantes e marcantes de mães solteiras

Uma mãe que não contrai laços com o progenitor do seu filho não escapa ao epíteto de "mãe solteira". A pensar no Dia da Mãe, o SAPO conversou com duas guerreiras e conheceu histórias completamente diferentes. Duas mães e dois relatos de vida chocantes.

 “Daria tudo para estar com um dos pais dos meus filhos”

Irina Gabriel, de apenas 21 anos, mãe de dois filhos (de pais diferentes) revelou estar solteira por impedimento da família.

“Sempre tencionei que a minha vida fosse como um conto de fadas, ou como o que tenho visto em novelas, mas infelizmente o tempo acaba mostrando a nossa realidade. Hoje posso dizer que me tornei uma mãe solteira e a minha familia contribuiu para que isso acontecesse. Sou de uma família de classe baixa, família humilde, onde para conseguir um prato de comida era uma guerra constante.

O meu primeiro filho chama-se Luís Miguel e tem três anos de idade, é fruto de uma relação que mantive pouco tempo com um vizinho do bairro. Com os meus 16 anos de idade, e para a minha surpresa, os meus familiares alegavam que o rapaz não seria o marido perfeito para mim não aceitaram que ele assumisse a paternidade. Com o passar do tempo, apaixonei-me por um senhor mais velho, um colega do meu pai.

Estava tudo certo, nos amávamos e parecia estar tudo à mil maravilhas. Um senhor mais velho, com os seus 45 anos e muito bem aprumado. Com as melhores das intenções, estava disposto em estar comigo e a assumir o meu filho.

Mas tinha um problema: a minha família. Os meus pais nunca aceitaram a minha relação e obrigaram-me a terminá-la, pois seria uma vergonha para eles ver a sua ‘querida filha’ namorar com alguém 20 anos mais velho. Mas eles não sabiam que o pior já tinha acontecido, a minha segunda gravidez.”

Irina diz não ver vantagens em ser-se mãe solteira. “Existe uma grande diferença em estar solteira sem ter filho algum nos braços, e estar solteira com um filho que não tem a atenção do seu pai. Infelizmente, não vejo vantagens, independentemente de haver toda e qualquer assistência. Nada melhor do que uma criança crescer no seio dos seus pais, onde juntos possam passar os seus ensinamentos.”

Afinal, de onde vem a educação que os filhos têm de receber?

Deolinda Martins, com 27 anos e mãe pela primeira viagem, encara a maternidade com vários sentimentos, obrigada a lidar com o preconceito da sociedade angolana.

“Ser mãe é uma dádiva, é amor sem limites ou objecções. Não há equiparado ao amor de mãe”, refere. Deolinda admite que não é vantajoso ser-se mãe solteira, pois não existem mulheres com a mesma personalidade, com o mesmo carácter e a mesma educação.

“Como vamos manter o equilíbrio desse bebê, podemos até ser amigos, mas não será o suficiente para educar uma criança com os mesmos valores, regras e condutas. Uma das partes distorcerá algumas coisas, as quais, por mais pequenas que sejam, ilustram de uma outra forma a criança: como por exemplo as horas de comer, deitar, o que comer e com que quantidades.

A figura paterna é importantíssima na vida de uma criança por inúmeras razões, e uma delas é a protecção. Os homens tendem a ser mais protectores e objectivos no que respeita ao seu filho. Lógico que isso varia de pai para pai. Pelo que tenho visto, até uma simples queda é motivo de preocupação, de mimos, de afagos, mesmo que a criança não esteja a chorar. A mãe é mais controlada por ver essas situações com maior frequência no seu dia-a-dia.”

É difícil conciliar a imposição de regras com a vontade de os agradar

Com unhas e dentes, Deolinda defende que ser mãe é a melhor sensação que Deus lhe proporcionou, e nada na sua vida supera esse mesmo amor.

“Mãe solteira é difícil, muito difícil lidar com tudo à volta e ainda ter que viver a sua vida. O desequilíbrio começa quando a mãe diz que dormir é às 21 horas, mas, pelo outro lado, por estarem pouco tempo com ele, permite que ele fique até altas horas a ver televisão. A mãe diz que gelado só depois do almoço, mas antes do almoço, para agradá-lo, é deixá-lo comer doces e gelados.

Mãe solteira ama, educa, protege duplamente. Apesar de ser vaiada teve a decência que muitas não tiveram e a coragem que muitos homens fingem não ter. É duro saber que podem fazer o contrário, mas negam-se por vaidade. Só que a vida não recua.

Em conclusão, não existe mãe solteira, o que existe é uma mulher que bateu no peito e disse que ‘venha o que vier, eu assumo’.”

Priscila Jorge

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