Colesterol elevado diminui hipóteses de engravidar e pode estar na origem do fracasso de muitos tratamentos de fertilização

Um estudo internacional já tinha defendido que os casais com níveis elevados de gordura no sangue prejudicam a sua fertilidade. Agora, especialistas canadianos associam-no também a problemas cardíacos.

Um estudo realizado por investigadores dos National Institutes of Health and Human Development, nos Estados Unidos da América, concluiu que quando o casal tem o colesterol elevado, demora, em média, mais tempo para engravidar do que um casal que não tenha problemas de saúde. Os cientistas chegaram a esta conclusão depois de terem analisado o sangue de 1.026 homens e mulheres, 513 casais.

A equipa de investigação apurou ainda que o excesso de gordura no sangue está na origem de hormonas sexuais, como a testostoerona e o estrógeno, que reduzem a fertilidade. Os voluntários, que foram acompanhados de 2005 a 2009, estavam a tentar engravidar e não estavam a ser sujeitos a nenhum tratamento de fertilidade. No caso das mulheres que recorrem a estes métodos, o colesterol também pode interferir.

Jacob Udell, investigador da Universidade de Toronto, no Canadá, afirma, num novo estudo, que o fracasso de alguns dos tratamentos pode ser indiciador de problemas cardiovasculares, muitos deles causados por esta substância. Segundo esta pesquisa, divulgada agora, essa percentagem chega a atingir os 21%, noticia a edição online do Canadian Medical Association Journal (CMAJ).

«As nossas descobertas são consistentes com a hipótese dos tratamentos de fertilidade poderem constituir uma primeira indicação de problemas cardíacos futuros, pelo que as mulheres [com dificuldades em engravidar] devem ser alvo de uma vigilância preventiva», defende o especialista. «Não queremos, no entanto, alarmar as mulheres que se estejam a submeter a tratamentos de fertilidade», diz Donald Redelmeier.

«Estamos apenas a sugerir que estejam cientes desta situação, que pode ser uma oportunidade para os médicos [que as acompanham] reverem os fatores de risco de doença cardíaca de forma a poderem protegê-las», acrescenta o co-autor do estudo, em comunicado. Para chegar a estas conclusões, os investigadores monitorizaram 28.422 voluntárias, mulheres com menos de 50 anos, entre 1993 e 2011.

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