O meu filho tem medo na hora de dormir

O medo na hora de deitar é frequente nas crianças, nomeadamente por receio em ter pesadelos que são característicos sobretudo entre os 3 e os 10 anos, embora possam ocorrer em qualquer idade. Mas os pais podem ajudar os filhos a ultrapassar os medos. Saiba como.

Apesar de típicos no desenvolvimento da criança, os pesadelos, também designados de parassónias, tratam-se de eventos noturnos benignos caraterizados por episódios oníricos (sonhos) que podem interferir no sono devido ao seu conteúdo perturbador (tipicamente, ameaças à integridade física da criança ou de outros significativos).

Habitualmente, os pesadelos fazem parte do desenvolvimento da criatividade e relacionam-se com a capacidade da criança para aprender a diferenciar a fantasia da realidade. Por este motivo, só os caracterizamos como perturbação do sono quando são muito frequentes, quando o seu conteúdo é recorrente e quando tem um impacto de relevo na vida da criança (p.e., recusa em ir dormir a casa dos amigos). Por vezes, experiências traumáticas durante o dia, como acontecimentos assustadores, conflitos, filmes ou histórias perturbadoras, podem surgir nos pesadelos de forma mais ou menos disfarçada, reforçando na criança o sentimento de medo em ir para a cama ou medo de dormir.

Em crianças de idade pré-escolar são mais frequentes os medos relacionados com monstros, fantasmas, estar sozinho e do escuro; em crianças de idade escolar surgem medos acerca de raptos, morte, acidentes ou catástrofes e crítica social. Normalmente, estes receios são transitórios e tendem a desaparecer com a idade, contudo é fundamental ajudar a criança a ultrapassar os seus medos, uma vez que estas experiências provocam grande ansiedade na hora de dormir.

Após um pesadelo, é natural que a criança desperte e se mostre assustada, confusa e desorientada. Nesse momento, é importante tranquilizá-la e confortá-la, ajudando-a a sentir-se segura e relaxada. Ter um objeto de conforto, como um peluche ou uma manta pode ajudar a que a criança se sinta protegida. Pode-se utilizar a imaginação a favor da criança, pensando em algo que a deixe tranquila, como estar na praia a brincar. Durante o dia, pode ser importante ajudá-la a pensar num desfecho diferente para o seu pesadelo (por exemplo, desenhar o “monstro” fechado ou preso numa jaula). Assegurar que a criança aprende a lidar com o medo após o pesadelo é imperioso para que esta não desenvolva receios na hora de deitar.

A seguir "O que podem os pais fazer para ajudar a criança a ultrapassar os seus medos?"

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