Crianças com excesso de peso têm menos amigos, revela estudo

Um estudo realizado na Holanda revela que as crianças com peso dentro da média têm menos probabilidade de terem amigos com excesso de peso e, inclusive, afirmaram que não simpatizam com crianças obesas.
créditos: pixabay

Um estudo realizado na Holanda entrevistou 700 crianças com idades entre os 10 e os 12 anos e concluiu que os que têm peso a mais são os que têm menos amigos e são mais rejeitados pelos seus pares.

Uma das co-autoras do estudo, Kayla de la Haye, afirmou ao site Fatherly que "todos sabemos há muito tempo que a obesidade é estigmatizada, e os dados deste estudo sugerem que o estigma se traduz em comportamentos concretos por parte dos que não têm peso a mais". Kayla também acredita que este comportamento não ocorre só na Holanda, onde o estudo foi efetuado, e poderá ser transversal a outros países. "Em vários países com outras culturas, assistimos à repetição do padrão em relação às crianças com peso a mais. E nota-se ainda mais nestes grupos dentro da comunidade escolar. Na minha opinião, esta hipótese seria muito consistente noutros estudos, noutros países".

Neste estudo perguntou-se às crianças quem, dentro da comunidade escolar, elas consideravam ser um amigo e de quem não gostavam. Quando adicionaram o fator "peso", surgiu rapidamente um padrão.

Não só as crianças com excesso de peso eram mal vistas pela comunidade escolar, como também eram crianças das quais as outras claramente não nutriam um sentimento de simpatia e afinidade. "Não estava à espera que as crianças com peso a mais não fossem queridas pelas outras. Elas são excluídas e frequentemente rejeitadas pelos seus colegas", afirmou Kayla ao mesmo site.

Para a co-autora, estes comportamentos acabam por ser um ciclo vicioso: as crianças com excesso de peso são ostracizadas e isto leva a mais aumento de peso, a mais discriminação. Kayla dá um exemplo. "Se várias crianças com excesso de peso são rejeitadas pelas outras, a tendência é criarem-se grupos de crianças com peso a mais, que enquanto grupo, não vão optar por uma alimentação mais saudável e prática de atividades".

Para Kayla, os pais têm um importante papel no sentido de mudar esta mentalidade, explicando aos filhos que a obesidade não é um defeito e que ser saudável não tem só a ver com as escolhas de cada um, mas pode ser também uma condição difícil de se alcançar, por diversos motivos.

artigo do parceiro: Susana Krauss

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