O fim dos relacionamentos na perspetiva de um psicólogo

Apesar de muitas vezes doloroso, um ponto final numa relação não tem forçosamente de ser o fim de algo. Vítor Rodrigues, habituado a lidar com o problema, explica porquê.

As razões podem ser muitas e variadas. Um relacionamento pode acabar quando as pessoas caminham pela vida a velocidades diferentes, quando os interesses se tornam incompatíveis, quando uma das pessoas sobe enquanto a outra desce, ou fica ao mesmo nível, em termos morais. Há ainda razões de cariz mais mais psicológico, como terem iniciado um relacionamento projetando um no outro imagens ideais.

O que sucede, muitas vezes, é que acabam por constatar, depois, que o outro afinal não é quem parecia ser ou que existe um relacionamento desigual em que um funciona mais como pai, mãe ou filho do outro do que como companheiro. Outra perspetiva consiste em admitir que todos funcionamos como seres físicos, emocionais, afetivos, intelectuais e espirituais. A relação pode existir ou não e estar ou não a correr bem a todos estes níveis.

Conheci casais que me perguntavam se valia a pena prosseguir quando não tinham relacionamento sexual há anos, mal se falavam, apenas partilhavam a casa e refeições, tinham interesses diferentes nos tempos livres e no trabalho, um era ateu e o outro religioso. Nessa condição, há uma pergunta que se impõe. Qual casamento? Esses casais estavam separados há anos, só não tinham assinado os papéis.

Um relacionamento pode e talvez deva, idealmente, funcionar a esses quatro níveis. Às vezes não funciona ou deixou de funcionar e é possível dar um jeito. O que impede? Por vezes, a distância já é excessiva e têm tantas memórias de sofrimento mutuamente infligido que é extremamente difícil ultrapassá-las. Veja também a galeria de imagens com gestos e comportamentos que tornam as relações perfeitas.

Começar de novo

Há algumas receitas simples que podem dar bons resultados quando o objetivo é relançar um relacionamento. Uma delas é empenhar-se em seduzir novamente o outro reinteressando-se por ele ou por ela, por aquilo que faz, sente, pensa, gosta e não gosta e aprendendo a apreciar tudo isso. Outra alternativa consiste em criar novas memórias em comum, promovendo experiências novas e agradáveis.

Momentos de partilha em que ambos tomem parte, nomeadamente viagens, leituras, cinema, um curso que fazem juntos, fins de semana cúmplices, experiências culinárias. Podem ainda reviver e revisitar, intencionalmente e em conjunto, lugares e experiências do tempo em que estavam apaixonados e transportar isso até ao presente. Tempo de qualidade em conjunto é um dos segredos.

Dizer adeus

Os relacionamentos podem acabar, como tudo na vida. Geralmente, um dos cônjuges sente isso primeiro que o outro. Normalmente um dos sinais é perceber que ficarem juntos acarreta mais sofrimento do que a separação e/ou que o crescimento pessoal e espiritual fica mais perturbado nessa condição do que se se libertarem para novos horizontes. Veja também a galeria de imagens com as 15 apps a descarregar após o divórcio.

Texto: Vítor Rodrigues (psicólogo)

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